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Autores: Diego Emílio de Almeida Motta
Nayara de Freitas Faria
Rafaela da Silva Pedrosa
Willian Silva Coutinho

 

À medida que o mundo torna-se mais complexo e volátil é indispensável o uso de novas estratégias administrativas, mecanismos que atendam às tendências de um mundo altamente competitivo e contribuam para a sobrevivência da organização. À partir dessas mudanças mercadológicas, diversas empresas desenvolveram técnicas administrativas constituindo as novas tendências da administração como, por exemplo, o Empowerment, sustentabilidade, a governança corporativa e os arranjos produtivos locais.

O presente estudo visa apresentar o conceito e a aplicabilidade dos arranjos produtivos locais.

Os Arranjos Produtivos Locais (APL) visam promover o desenvolvimento de regiões brasileiras de forma sustentada, disseminando e implantando metodologias e ferramentas que observam as características e vocações locais para incentivar a inovação tecnológica e dinamizar a atividade empresarial.

Arranjos produtivos são aglomerações de empresas localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantêm algum vínculo de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais tais como governo, associações empresariais, instituições de crédito, de ensino, e de pesquisa. Para isso, é preciso considerar a dinâmica do território em que essas empresas estão inseridas, tendo em vista o número de postos de trabalho, faturamento, mercado, potencial de crescimento, diversificação, entre outros aspectos.

No entanto, a idéia de território compreende não só o espaço físico, mas também uma rede de relações sociais, um campo de força que se projetam em um determinado espaço. O território do APL é econômico, apesar de não se restringir a ele.

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Além disso, o APL deve manter ou ter a capacidade de promover um a convergência em termos de expectativa de desenvolvimento, estabelecer parcerias e compromissos para manter e especializar os investimentos de cada um dos atores no próprio território, e promover ou ser passível de uma integração econômica e social no âmbito local. Deve-se permitir a conexão do arranjo com os mercados, a sustentabilidade por meio de um padrão de organização ao longo do tempo, a promoção de um ambiente de inclusão de micro e pequenos negócios em um mercado com distribuição de riquezas e a elevação do capital social por meio da promoção e cooperação entre os atores do território.

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Dessa maneira, o APL atua primeiramente, identificando as necessidades, sejam mercadológicas ou administrativas, estabelecendo parcerias estratégicas a fim de buscar soluções e tornar os atores competitivos e inovadores.

Algumas vantagens dos APL’s são a difusão do conhecimento, capacidade inovativa, capacidade e facilitação de comunicação, cooperação e competição, acesso a serviços especializados, maior intercâmbio de informações com clientes, fornecedores e concorrentes, Todas estas vantagens proporcionam ao APL o fortalecimento, crescimento, agregação de valores aos bens e serviços produzidos

A fim de alcançar os objetivos propostos, algumas estratégias devem se adotadas nos APL:

a) Sensibilização e mobilização do setor e dos diversos atores comprometidos com o desenvolvimento regional;

b) Realização de estudos, levantamentos e diagnósticos;

c) Definição dos principais gargalos e prioridades empresariais e tecnológicas;

d) Elaboração do planejamento estratégico e do plano de trabalho do APL (definição de projetos, responsabilidades, negociação dos recursos, etc.);

e) Monitoramento dos resultados por indicadores e;

f) Planejamento de novas ações.

MODELO ORGANIZACIONAL EM APL

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A organização das empresas em arranjos constitui-se em importante fonte geradora de vantagens competitivas duradouras, principalmente quando estas são construídas a partir do enraizamento de capacidades produtivas e inovadoras. A experiência brasileira demonstra que a dinâmica dos arranjos não se reduz apenas à presença de um certo número de pequenos negócios operando em certos níveis de proximidade espacial.

Os setores de APL no Brasil concentram-se nas atividades de madeira e movéis, calçados, confecções, agro-indústria, biotecnologia, metal-mecânica, construção civil, rochas ornamentais, turismo, tecnologia da informação.

EXEMPLO DE APL: O MODELO DO SETOR MOVELEIRO DE UBÁ

O pólo moveleiro de Ubá, em Minas Gerais, é uma espécie de modelo para os demais arranjos produtivos do país. Segundo o especialista em gestão de negócios Rogério Della Fávera Allegretti, um dos responsáveis pelos estudos e pela implementação do pólo de Ubá, ele pode colaborar para definir uma 'visão de futuro compartilhada, que deverá orientar as decisões e as ações de aumento de competitividade das empresas da região, por meio de um processo de aprendizagem contínua em busca de patamares aceitáveis de desenvolvimento sustentável'. É esta, aliás, uma das características dos aglomerados.

O sucesso de cada empreendimento depende do desenvolvimento harmônico de todos, o que implica num trabalho contínuo de cooperação. O diagnóstico do pólo, já concluído, foi o ponto de partida para um processo de mudança e desenvolvimento. Apontou como gargalos a superar, entre outros, as estratégias de marketing e o design, a inserção de novas tecnologias, o aperfeiçoamento dos processos de produção e desenvolvimento dos recursos humanos.

Entre os recursos de que dispõe o arranjo produtivo de Ubá para ampliar suas vendas, está um grande espaço para eventos, construído com recursos de 17 empresas moveleiras, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, em convênio com a prefeitura local. Nele se realizam, anualmente, a Feira de Móveis de Minas Gerais (Femur) e a Feira da Tecnologia Moveleira (Femap).

CONCLUSÃO

Arranjos Produtivos Locais (APLs) criam ambiente inovador ao reunir empresas concorrentes para ganhar mercado. A união de empresas de um mesmo segmento em busca do aumento da produtividade e da solução dos diversos problemas que surgem no ambiente corporativo, gera a difusão do conhecimento, aumento da capacidade inovativa, capacidade e facilitação de comunicação, cooperação e competição do setor o que é altamente produtivo para o desenvolvimento territorial do APL.

 

BIBLIOGRAFIA

  1. FERREIRA, Armando Leite. Rota de Navegação: Desafio SEBRAE. Rio de Janeiro: Expertbooks, 2007.
  1. CAVALCANTE, C. R. R. Cooperação e Governança em Arranjos Produtivos Locais. 1º Conferência Brasileira sobre Arranjos Produtivos Locais. 2004.
  1. Parcerias de Sucesso. Edição 176 - Set/03. Disponível em: <http://revistapegn.globo.com/EditoraGlobo/componentes/article/edg_article_print/1,3916,596840-2999-3,00.html>. Acesso em: nov/2009.